domingo, 2 de agosto de 2009

A Lógica da Educação

A palavra "educação" corresponde a perpetuação da cultura ao longo das gerações de qualquer sociedade, envolvendo conhecimentos, costumes e o que demais envolve a sociedade em que um indivíduo vive. Em geral, tal conceito é transmitido pelas escolas, num processo conhecido como "Educação Escolar".

Desde jovens, o comum é que as pessoas aprendam quais são os conhecimenos básicos que elas precisam para socializarem-se, além de tomar conhecimento da cultura que as engloba até o ponto cronológico em que se encontram. Para tal, é lógico, é necessário aplicação por parte do indivíduo, aplicando-se aos seus estudos, inevitavelmente envolvendo os temidos "decorebas", uma vez que o processo de aprendizagem abrange áreas voltadas ao conhecimentos científicos, humanos e exatos básicos. Não há como fazer com que a cultura não se perca no tempo se não a passarmos a diante.

Pois bem, nosso ministro da educação, Fernando Haddad, defende que muitos dos conhecimentos que adquirimos são inúteis, e que não devemos nos apegar aos meros "decorebas". O correto seria valorizar a inteligência, a capacidade de raciocínio do indivíduo. Muito bem, posição inteligentíssima! A partir de agora, vamos todos ter aulas de raciocínio, de como sermos inteligentes! Legal, não é? Este é o primeiro país em que não precisaremos saber que a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa! Não mesmo, pois ele, o ministro da EDUCAÇÃO, desconhece o assunto... é até compreensível que alguns que não tenham acesso a tal conhecimento matemático esqueçam-no, mas mesmo assim, é inadmissível que alguém desconheça o que ele representa! Ah, e uma dúvida: o raciocínio não depende do ato de decorar, então? Por exemplo, imagine-se numa prova de história, em que o contexto político-social encontra-se no século XVIII, no ano de 1789, ano da Revolução Francesa. Muito bem, agora responda a esta questão: Qual foi o propósito de os revoltosos tomarem a Bastilha?? Vamos, raciocine! Use a lógica e me diga a resposta! Creio que alguns entendem onde quero chegar... é impossível raciocinar com precisão a respeito de um tema desconhecido.

Nosso ministro quer instituir um tipo de exame no Brasil que valorize a lógica do aluno, o que é plausível. Mas creio que devem faltar-lhe informações; primeiro, as avaliações atual exigem do aluno sua lógica e raciocínio, pois para que ele trace seu caminho é necessário pensar sobre o tema por ele previamente já estudado, segundo, a lógica é importante sim, mas e que dizer das pessoas com mais dificuldade para aprender? Muitas vezes, esforçam-se muito além do que é comum aos outros, porém por banais questões de dificuldade não obtêm o retorno que mereciam. A estas o Ministério manda um bom "que se fo...", pois com tal ideologia nova, acaba por deixá-las de lado.

Mas de repente aparece Haddad novamente, e a criatura anuncia que está tomando decisões com o objetivo de tornar a educação brasileira como a dos estadounidenses (acreditem se quiserem, mas com a atual e pífia mudança ortográfica, "estadounidenses" se escreve assim). Pois bem, gostaria de deixar algo bem claro: estamos no Brasil!! Antes de mudarmos, precisamos chegar a um patamar aceitável!! As condições por aqui para que modifiquemos nosso sistema são precárias! Para se ter uma noção, a prova do ENEM, que é ridicularizada por muitos devido à sua facilidade, obteve média nacional de 41, em escala de 0 a 100. É um absurdo... e é notável a necessidade de melhorar as condições de educação antes de querermos igualar o seu processo ao que está instaurado em países mais ricos.

Um evento, diás atrás, surpreendeu-me. Com o pandemônio que se instaurou com a Gripe A, o ministro da saúde José Gomes Temporão tem aparecido frequentemente nos meios de comunicação, para anunciar medidas e alertar o povo sobre o que está acontecendo. A Nova Gripe, alguns dias mais tarde, obrigou escolas de várias cidades a paralisarem suas atividades por um tempo, como é o caso da minha. Resultado: os cinemas em algumas dessas cidades faturaram absurdamente! Mas calma, o fato que veio a me surpreender ainda está por vir. Assim, indignado com o contexto que me inseria, não sei se agindo bem ou mal, escrevi, no MSN (para os que não conhecem, é um sistema de mensagens instantâneas via internet) a seguinte frase: "Muito bem Temporão, os cinemas nunca faturaram tanto!". Não tardou e um amigo meu, que está cursando o 1º Ano do Ensino Médio, veio perguntar-me se Temporão tratata-se de um filme... fiquei incrédulo, achei insólito que alguém a tal ponto do curso e em meio a um caos como o do H1N1 não soubesse que tratava-se do ministro da saúde. Porém, ao refletir um pouco, lembrei-me de que anos mais cedo, eu também não o saberia... somos culpados? Ou será que a educação no Brasil é precária e não está fornecendo aquilo que um cidadão precisa para ser decentemente formado como tal?

Parece-me que a perpetuação da cultura ao longo das gerações não está funcionando como deveria em nosso país... isto é algo sobre o qual, como diria nosso mestre da educação, deveríamos pensar.

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